Num dia de pás voltadas ao céu, Karl protestou, à mesa: por que o naco de carne que cabe ao Pai é maior do que os nossos? O Pai olhou para a Mãe, depois para Karl e continou em silêncio. Os nove irmãos continuaram de cabeça baixa, a comer. A Mãe enxugou as lágrimas no avental.
No dia seguinte, o prato de Karl tinha um naco de carne semelhante ao do prato do Pai. Os pratos da Mãe e dos irmãos tinham nacos ainda menores do que os habituais. Karl deixou a mesa, em protesto. A Mãe enxugou as lágrimas no avental. O Pai e os irmãos comeram em silêncio. Sultão ganhou, pela primeira vez, um pedaço de carne não mastigado.
No outro dia, Karl saiu para almoçar num restaurante vegan. Em casa, o prato do Pai tinha dois nacos grandes de carne. Os pratos da Mãe e dos irmãos tinham a mesma quantidade da véspera.
Lá fora, os porcos gritavam: sigam o exemplo de Karl! Sigam o exemplo de Karl!
Minha peça 'Quero Ser Xico Sá' será apresentada na madrugada deste sábado, na praça Roosevelt.
Vá ver! É rápida, grátis e divertida.
Trata-se de uma paródia do seriado 'In Treatment', em apenas 15 minutos.
A direção é da grande Mika Lins.
O terapeuta é o engraçadíssimo ator, cantor e compositor Carlos Careqa.
Os pacientes são o José Geraldo Rodrigues, aquele do filme 'Linha de Passe', Taís di Crisci, atriz do núcleo experimental dos Satyros e o cantor e ator Mamé.
E o Xico Sá não tem culpa nenhuma. Usei seu nome à revelia.
Fica assim:
'Quero Ser Xico Sá'
Sábado, 31/10, às 3h (mais conhecida como madrugada de sexta para sábado).
Tenda Dramamix - Satyrianas
Praça Roosevelt - São Paulo
Apresentação única
Entrada grátis - retirar convite a partir das 2h.
Outro convite: na segunda, 2/11, às 12h, mediarei o debate 'A Poética da Metrópole', com Caco Pontes, Luis Francisco Carvalho Filho e Fernando Bonassi. Será no Espaço dos Satyros 1.
Escrever é moleza! Agora, ser conciso e, ao mesmo tempo, criativo é outra história... Se a internet facilitou a vida de muitos literatos e aspirantes a escritor, oferecendo diversos suportes para exercitar a criação literária e divulgar toda a produção, também permitiu que muito joio se misturasse ao trigo. Os blogs foram, até pouco tempo, o principal canal para literatos (pretensos ou não). Agora é a vez do Twitter, mesmo com seus posts limitados a 140 caracteres.
(...)
Moreno lembra o lema de muitos autores consagrados, como Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade: é preciso sempre cortar palavras para se chegar a um texto enxuto e definitivo. "Os microblogs, como o Twitter, são ótimas ferramentas para praticar esses cortes. Com a vantagem de ter o leitor ali, por cima do ombro, avaliando o resultado. Mas o Twitter é mais usado para produção literária final, concisa, em que uma história é contada em apenas 140 letras. A literatura produzida dessa forma tem autores e leitores específicos, gente que curte o jogo de palavras, que saboreia pequenas porções de deliciosos pratos", completa.
Raridade 1: este é o Mini Cooper Clubman, lançado em 2008 e que deve chegar ao Brasil até o final de 2009, sob encomenda, por cerca de R$ 130 mil.
Raridade 2: este é o DKW "Vemaguete", considerado o primeiro carro brasileiro, produzido de 1956 a 1969. Dá pra encontrar alguns à venda, funcionando, na faixa de R$ 3 mil.
Não parece que a raridade 1 é apenas um upgrade da raridade 2?
Ontem fui até o sétimo andar para acompanhar a gravação com Anthony Bourdain. Como ninguém da equipe fala francês, e o convidado aprendeu um pouco de espanhol com um irmão uruguaio, me chamaram para dar uma força na comunicação. Mas nem foi preciso: o cara não falou com ninguém. Só trocou algumas palavras em inglês com sua assistente, sempre baixinho. Para nosotros, brasucas, só olhava com um sorrisinho de enfado. Enquanto Malerba e Edu se esforçavam para ajeitar numa mesa os ingredientes que seriam preparados por ele, monsieur Bourdain continuava com o sorrisinho, como se dissesse: "deixa de qualquer jeito, vai ficar uma porcaria, mesmo". Para passar o tempo, fui zapear no monitor que fica na sala da Manu, por onde ela controla tudo o que acontece nos estúdios. Virei alguns canais e parei um pouco numa cena exótica: um grupo de anões orientais dançava uma música animada, alguma coisa folclórica. Todos vestiam túnicas vermelhas cheias de detalhes em dourado. Continuei virando os canais e cheguei novamente aos anões dançarinos. A música continuava a mesma, mas agora vestiam outra roupa - túnicas beges brilhantes, com detalhes dourados e vermelhos. Nesse momento acordei revoltado. A troco de que meu cérebro fica desperdiçando neurônios em composições tão estrambóticas? Os anões asiáticos poderiam, pelo menos, ter usado um traje só.
Já leu os contos da Ivana? Leia. Enquanto a maioria dos autores escreve pá-pum, Ivana escreve pá-pam! E agora, no primeiro romance, extrapolou: fez uma história pra lá de pá e cheia de pans!
De sete dias, criou um mundo. Da gênese relatada em memórias ao futuro imaginado de Renata, "Hotel Novo Mundo" mostra, como diria Balu a Mogli, o necessário, somente o necessário.
História de vidas, numa daquelas interseções do acaso, focada num momento de viradas. Um break na timeline que cria outra timeline, justificando o não-dito: toda mudança é boa, ainda que para pior. E que gostoso ler e ver a coisa toda se passando aqui na esquina, lugares reais, situações reais e pensamentos reais, tudojunto formando ficção.
"E quando a dona de casa foge pra São Paulo num domingo à noite, entre um intervalo e outro do Fantástico, o que acontece com a casa? Nada? Nada."
Livro bom de ser decupado, mas muito melhor de ser lido. Li ontem, em poucas horas. Assim que acabei, tentei começar um Philip Roth comprado no mesmo dia, mas não deu: muito pá para um dia pam. Recomeço amanhã.
Escrevo porque Cecília não canta mais, e de torneira pingando o copo na pia transborda. Sou alegre e sou triste, um dos três patetas.
Volta aqui, maninho, traz o cobertor. Vida de homeless é uma tormenta constante.
Desmonto e não me levanto. Saio e não vou. Dissolvo. Talvez fique, ou não. Escrevo e o papel insiste, uma gota vermelha no paletó, prendas invisíveis de ismália, preciso aprender libras.
Mais nada.
Nem precisa entender. Mas se sim, avisa. Confortaria.
Para uma empresa existir, precisa de capital e trabalho, com características variadas em seus quatro momentos cruciais:
Fase 1 - Fundação Trabalho: Coragem e criatividade
Capital: suficiente para sustentar a empresa durante o prazo estabelecido até chegar ao ponto de equilíbrio. Se o capital acabar antes, a empresa acaba. Se o prazo terminar e o ponto de equilíbrio não chegar, a empresa acaba.
Fase 2 - Crescimento Trabalho: conhecimento e ousadia
Capital: disponibilidade; liberdade de uso vigiada
Fase 3 - Estabilidade Trabalho: método e regras Capital: controle
Fase 4 - Declínio, para voltar à fase 3. Trabalho: rigor Capital: intocável; corte de despesas
Correr é assim que se pode. Por tanto, ou pouco, passa tão rápido quanto o ontem. Ah, o ontem, tão velho que hoje já é o amanhã. E assim que se pode, foi o que pensou. Sentou ali, na beira do galho, enquanto os pardais disputavam uma partida de críquete. Juiz ladrão! Berrava um. Foi pênalti! Trinava outro. Pois como disse, correr é assim que se pode.
Doutra vez, já sentado à beira do galho, pensou também. Comia amendoins de um saquinho que, vazio, virou trovão, espantando pardais, sabiais, tais e quais. Formigas voaram em sua direção e, de um golpe, engoliu-as todas. Por isso, dizem, é que à noite tosse tanto.
Já mais velho, o galho, rompeu, e o tronco não era sentável. Chorou como hiena em banquete de velório. De seus olhos vertiam os mais risonhos caxinguelês, de par em par, símbolos da tristeza arraigada. De fato, sentia-se poderoso, apesar da gravata apertada. Sem fato, sentia-se nu. Tirou então o fato e os sapatos, rolou na grama, deu de cabeça no rio. Não fossem as pedras, teria se espatifado e se esvaido em riso.
Correr é assim que se pode. Por falar nela, a cabra, saltava de gole em gole. Já não era futuro, e o calendário amassado no bolso de trás da calça nem sabia mais que dia era, se outono ou inverno. Bastava saber que era dia, apesar do sol.
Correr é assim que se pode. O pente de plástico permanece lá.
Imagine que o Corinthians não tenha um estádio grande o suficiente para abrigar sua torcida. Joga uma vez no Morumbi, outra no Pacaembu, e assim vai levando.
Mas o time não está satisfeito e buzina o tempo todo no ouvido da CBF: "precisamos de um estádio, precisamos de um estádio!".
Um dia a CBF se enche daquilo e resolve arrumar um estádio para o Corinthians: "ok, ok, vocês podem ficar com o Parque Antarctica".
Os corinthianos festejam, ficam malucos, saem gritando pela cidade, mas, é claro, os palestrinos, donos do estádio, ficam furiosos. Tentam resistir, argumentam, acionam o jurídico, mas nada adianta. São obrigados a desocupar o imóvel em 30 dias.
Sem campo para jogar ou treinar, os palestrinos tomam uma atitude radical: ocupam o Parque da Água Branca, ali pertinho. Só que eles têm consciência de que o parque não é a casa deles, e continuam tentando recuperar o outro parque. Tentam invadir, fazem abaixo-assinados e passeatas. Como nada dá resultado, começam a jogar pedras. Obviamente os corinthianos revidam e ficam nessa de pedra para os dois lados durante décadas.
A CBF tenta amenizar, o São Paulo diz que o campo é do Corinthians, a Portuguesa diz que o campo é do Palestra e os dois times continuam trocando pedradas.
Agora o Bispo vai lá e pede para os dois times jogarem um amistoso, que não vai resolver nada. Fácil, né?
A Folha abriu hoje um raro espaço para a música sertaneja publicando uma enquete informal que seleciona o que chama de as melhores músicas “caipiras” de todos os tempos. Foram ouvidos compositores, críticos e aficionados, como Zezé di Camargo, Renato Teixeira, Fernando Faro, José Hamilton Ribeiro, Rosa Nepomuceno e @marcelotas. Boto aspas em caipiras porque a votação não se resume a esse gênero.
Usei a inspiração do jornal para tentar criar minha lista de dez melhores músicas, mas não consegui resumir tanto e fechei em 17, e sentindo remorsos por deixar ainda umas vinte ou trinta de fora.
Não há um consenso entre o que seja sertanejo, caipira ou breganejo. Então, antes da lista, deixo minha definição pessoal dos estilos:
Música Sertaneja
Era a música criada ou cantada no interior do Nordeste. Por volta dos anos 1960 e 1970, passou a ser uma denominação “chique” para a música caipira, o que facilitou sua aceitação nos meios urbanos, e hoje é um guarda-chuva que abriga diversas ramificações. É impossível fechar os estilos porque os artistas frequentemente transitam entre um outro, como Sérgio Reis e a dupla Cesar Menotti e Fabiano, associados tanto ao caipira quanto ao pop.
Música Caipira
Originária da região que abrange o oeste e norte do Paraná, todo interior de São Paulo e sul de Minas Gerais, chegando a partes de Goiás e Mato Grosso do Sul. Essencialmente de temática rural, é cantada em duplas que se acompanham por viola e violão, às vezes sanfona. Seus ritmos principais são a moda de viola, a toada e o pagode. Alguns representantes: Tonico e Tinoco, Vieira e Vierinha, Zilo e Zalo, Tião Carreiro e Pardinho. Com letras geralmente trágicas, também há a vertente da comédia, marcada por Alvarenga e Ranchinho.
Sertanejo romântico
Canções de amores bem sucedidos e saudades desses amores. Tem influência das guarânias paraguaias, através da “nação guarani”, que junta o Paraguai ao Mato Grosso, e da música mexicana, depois do sucesso de cantores daquele país no Brasil por volta dos anos 1950 e 1960. Seus principais representantes são Cascatinha e Inhana, Belmonte e Amaraí, Irmãs Galvão, chegando a Milionário e José Rico, no limiar do pop-sertanejo.
Pop-sertanejo
Derivado do sertanejo romântico, o pop (pejorativamente, breganejo) teve seu marco inicial com a dupla Chitãozinho e Xororó, com a incorporação da guitarra elétrica e bateria, no comecinho dos anos 1970. Boa parte das letras falava de relações sexuais e traições. No mesmo grupo estão Zezé di Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, João Paulo e Daniel e, atualmente, Vitor e Leo. A partir dos anos 1990, o pop-sertanejo começou a adotar elementos do caipira norte-americano.
Música de raiz
Definição que junta a música caipira “pura” à sua versão mais sofisticada, urbana, mas remetendo ao ambiente rural. As novas letras são mais trabalhadas e suprimem os erros de grafia típicos dos caipiras originais. Entre os músicos de raiz, estão Renato Teixeira, Almir Sater, Passoca e Pena Branca e Xavantinho.
As "minhas" melhores músicas sertanejas (em ordem alfabética, por covardia):
“Boiadeiro”, de Klécius Caldas e Armando Cavalcante, com Luiz Gonzaga
“Cabocla Tereza”, de João Pacífico. Uma das mais famosas tragédias caipiras. Quando eu ouvia, na infância, entendia que o título era “Cabô com a Tereza”
“Cheiro de Relva”, de Dino Franco e José Fortuna
“Chico Mineiro”, de Francisco Ribeiro e Tonico, gravação original de Tonico e Tinoco.
“Cuitelinho”, folclore adaptado por Paulo Vanzolini, na gravação de Nara Leão
“Guacira”, de Joracy Camargo e Heckel Tavares, com Cascatinha e Inhana. Uma das melhores gravações para se apreciar a voz de Inhana que, para mim, só pode ser comparada à de Billie Holiday. A versão de João Gilberto também é muito bonita, mas deixa de ser caipira.
“Guarânia da Lua Nova”, de Luiz Vieira, na gravação de Cascatinha e Inhana. Belíssima combinação de letra e música que associa o amor à vida rural: "Saudade, bichinha danada que em mim fez morada e não quer se mudar, tem gosto de jiló verdinho plantado na lua nova do penar"
“História de Um Prego”, de João Pacífico. A “usina de letras” João Pacífico conta a história de um boiadeiro que deixa um prego na parede como herança para o filho.
“Leilão”, de Joracy Camargo e Heckel Tavares, na gravação de Inezita Barroso. Retrato doloroso da escravidão no Brasil, conta a separação de uma rainha kambinda e seu “preto véio”.
“Paineira Velha”, de José Fortuna, com Zé Fortuna e Pitangueiro. Fortuna compôs cerca de 2.500 músicas e boa parte delas ainda não foi gravada. Também criou versões de sucesso como “Índia” e “Meu Primeiro Amor”.
“Pé de Cedro”, de Goiá e Zacarias Mourão. Caso de amor entre um caipira e uma árvore, como “Paineira Velha”.
“Pingo d' Água”, de João Pacífico e Raul Torres. Exemplo da religiosidade sertaneja, inspirada na reza pela chuva.
“Pretinho Aleijado”, de Teddy Vieira e Luizinho, com Tião Carreiro e Pardinho
“Saudade de Minha Terra”, de Goiá e Belmonte, na gravação de Belmonte e Amaraí, é um hino dos caipiras que se mudam para a cidade grande
“Sertaneja”, de René Bittencourt, em solo de Cascatinha
“Tardes Morenas de Mato Grosso”, de Valderi e Goiá, com Nalva Aguiar
“Vai e Vem do Carreiro”, de Carlos Cezar e José Fortuna, com Carlos Cezar e Cristiano
Quem comparar minha lista à da Folha, perceberá que não escolhi as duas mais votadas na enquete do jornal. Não gosto de “Menino da Porteira” - acho fraca em história e música, além de muito massacrada como referência de música caipira.
Quanto a “Tristeza do Jeca”, quase unanimidade entre os votantes, nunca consegui ouvir como música caipira de fato. Tenho a impressão de que é uma homenagem, uma bela homenagem, ao caipira, mas que não saiu de um deles. Impressão falsa, porque Angelino de Oliveira, era um baita dum caipira da gema e da clara, muito mais compositor que dentista, sua profissão de registrar em hotel. Talvez considere “Tristeza” em outro nível, além do hours concurs, uma coisa mais para Villa Lobos que para Zé Carreiro. Ou talvez apenas queira fugir de sua tristeza verdadeira, essência da cultura caipira, isolada, longe do mar, dos acordes menores na viola de cintura fina. E de tantas vezes que chorei ao ouvir “O Causo do Angelino” cantada e contada por Paulo Freire, em blues quase à capela, seguida de uma chuva fininha e da Tristeza em si.
Sim, é papo de nerd, mas tenho a impressão de que vem uma nova revolução por aí, e tento tirar o assunto da nerdice para encaixá-lo no mundo real.
Trata-se de um brinquedinho concebido no MIT que tem tudo para ser o mascote da Idade da Informação.
Siftables são computadores quadradinhos do tamanho de biscoitos, na definição dos criadores, que interagem com outros quadradinhos de acordo com nossa necessidade. Pense em caixas de fósforos. Escreva, numa delas, o número 1. Em outra, o número dois. No meio das duas, coloque uma caixinha com sinal de + e uma com sinal de igual no fim. Depois, coloque uma caixa de fósforo sem nada escrito. O que vai acontecer? Nada. Mas se essas caixinhas fossem siftables, imediatamente apareceria o número 3 na última.
Outro exemplo: pense numa caixa de fósforo pintada de amarelo e outra pintada de azul. O que acontece quando você inclina uma sobre a outra? Nada. Pois na cabeça dos inventores do MIT, a caixa azul vai ficar verde.
Não é ficção. Estas duas situações, entre várias outras, foram apresentadas no TED2009. Nerds do mundo todo perderam o sono nos últimos dias imaginando as infinitas possibilidades de uso dos siftables.
Tenho a leve impressão de que o Big Brother 9 será vencido por uma mulher. Se tudo correr como previsto pelos sites paralelos, Ralf deve sair do jogo nesta terça, mesmo dia em que se encerra a visita do rico angolano Ricco. Restarão, na ala masculina, os eunucos Max e Flávio. E as sete odaliscas serão as amazonas de Jacarepaguá: Ana Carolina, Francine, Josiane, Maíra, Milena, Naiá e Priscila.
Este post foi publicado com o propósito de atrair audiência para o blog, usando como imãs o BBB, programa mais popular da televisão brasileira, a guerra dos sexos, sempre presente nos programas de auditório, e uma pitada de preconceito. Tem tudo pra dar certo.
A hipótese de uma biosfera paralela, supostamente originária de algum outro lugar no universo, dá um chacoalhão na teoria darwiniana, antes mesmo que essa se acomode da turbulência original - afinal, ainda há gente que crê em criacionismo.
Nada há de absurdo na existência de formas de vida alienígenas no planeta, já que estamos constantemente sob chuva de fragmentos espaciais, e sabe-se lá o que vem nesses fragmentos.
Particularmente, acredito em tudo: evolução, invasão, transmutação... menos em Deus, porque aí já seria fantasiar demais.
Virou default indexar o Teatro Mágico como chato, ou outro label discriminatório qualquer, por parte da malta moderno-nerd que deu uma passadinha pela #cparty. Saio em defesa do grupo, por estes motivos:
- TM é espontâneo e atrai multidões a qualquer lugar, apenas com um avisinho no site, mostrando sintonia com seu público e fazendo o melhor uso possível do conceito de comunidade social, sem precisar se preocupar com conceitos; tudo muito natural.
- Suas músicas têm letras. Só isso já chutaria qualquer balada eletrônica para o lixão da insignificância, mas tem mais: as letras são boas.
- São letras que externam o pensamento do público adolescente, geralmente sufocado por imposições comerciais ou culturais alienígenas. São letras caretas, concordo, mas caretas do bem, voltadas à sobrevivência e à preparação da molecada para o futuro.
Coloco em contraponto a preferência musical dos críticos do primeiro parágrafo. A música eletrônica da moda pode ser comparada ao funk-rio da moda, ambos péssimos como informação ou como lazer. Estão em pontas opostas de uma escala cultural, porém essas pontas são extremos de uma ferradura: só há um pequeno espaço vazio entre os dois.
Como pai de adolescente que gosta das três manifestações musicais, posso concluir que Teatro Mágico é construtivo, baladas eletrônicas são inócuas e funk-rio é degradante.
E fecho com uma ressalva ao TM: Fernando Anitelli está no caminho perigoso de se tornar um pequeno deus para os fãs do grupo, como aconteceu no passado com Renato Russo e Raul Seixas. A influência do TM deve servir para motivar o surgimento de novos artistas, novas bandas e novos pensadores. A era dos líderes já era.